SELO: A postura do passageiro de “chapa 100” – por Basílio Macaringue

O termo “chapa 100” no contexto moçambicano refere-se aos meios de transporte rodoviários de passageiros com capacidade de 15 a 34 lugares. Esses carros, na sua maioria, são de uso de pessoas privadas, quer sejam singulares quanto colectivas. No entanto, o aumento diário significativo deste meio de transporte deve-se à incapacidade das autoridades municipais e das associações dos transportadores. Não obstante, o termo passageiro tem sido usado para designar uma pessoa que realiza uma viagem em algum tipo de transporte sem ser quem o conduz e sem fazer parte da tripulação.

Nesse contexto, hoje vamos reflectir à volta dos acontecimentos que caracterizam esse cenário, sobretudo a postura do passageiro para com o outro passageiro, para com o cobrador e vice-versa.

Já teria, em algum momento, parado para se dar conta do facto de que alguns dos problemas enfrentados por passageiros do chapa 100 continuam os mesmos de alguns anos atrás?

Em virtude do crescimento socioeconómico e cultural e ainda a falta de conhecimento do código de conduta ou postura da parte da maioria de utentes que se fazem no chapa 100, inúmeras manifestações de conflito tem sido o "filme diário gratuito" nas vias públicas.

Tomemos como exemplo os seguintes casos: mesmo com multas aplicadas sobre condutores dos chapa 100 que praticam o encurtamento de rotas, principalmente durante horas-de-ponta (primeiras horas do dia e período de regresso de maior parte de trabalhadores), o índice de sua ocorrência tende a crescer a cada dia, como se de um caso normal se tratasse; as discussões entre passageiros, baseadas na razão de um ter pisado involuntariamente no outro ou originadas pela audácia de um abrir a janela sem o consentimento do passageiro mais perto dela, tendem a crescer diariamente; as discussões entre passageiros e cobrador, porque aquele primeiro se fez abordo no chapa sem dinheiro trocado logo pela manhã…; o número de passageiros que se fazem ao chapa embriagados, causando distúrbios e colocando em causa a tranquilidade e segurança públicas, também tem sido muito frequentes a cada dia.

Enfim, são mesmos problemas que caracterizam o dia-a-dia daqueles que se fazem abordos no chapa 100, de igual modo para aqueles que velam pela entrada, pelo pagamento da tarifa de transporte e pela saída do passageiro, bem como daqueles que asseguram a chegada de cada um no seu destino, em segurança.

Face a isso, nasce o presente artigo de opinião, que visa, conforme o tema em si suscita, dar um olhar profundamente atento às normas de conduta dos envolvidos no caso. Assim, a abordagem em causa vai permitir não só aumentar a consciência do leitor sobre a realidade diariamente enfrentada, como também satisfazer os interesses da colectividade no concernente às boas normas de conduta, reduzindo, deste modo, o índice de ocorrência de conflito em questão e, por conta disso, estimular uma convivência sustentada em bases ético-morais, substanciadas à postura aceitável de um passageiro.

De acordo com os escritos científicos, código de postura consiste num conjunto de normas e regulamentos jurídico-administrativos que regulam, de forma geral, a conduta dos cidadãos e das entidades públicas e privadas, cujas disposições são de cumprimento obrigatório. Deste modo, este código padroniza o comportamento de todos envolvidos. É também visto como código de ética, pois reúne as informações que padronizam os valores e a postura de todos. Enquanto inseridos no mesmo grupo, no qual se tem pelo menos um objectivo em comum.

Nesse contexto, a postura de que nos referimos serve para fazer a todos inseridos a cumprirem de forma consciente seus deveres e direitos sobre o todo, agindo de forma comummente aceitável. Nesse caso, a difusão de informação é uma condição determinante, senão única, necessária e suficiente para garantir o seu potencial funcionamento. Isto permite que todos tenham conhecimento sobre a sua existência, nocção ou domínio da sua utilização e a consciência das sanções resultantes da prática de alguma infracção.

Face aos exemplos supracitados, tem-se a partilhar com o leitor, na qualidade de passageiro de chapa 100: geralmente ninguém pisa no outro intencionalmente, por conta disso, a necessidade de manter calma e cautela é fundamental. Antes de se fazer ao chapa logo pela manhã, certificar-se de que tem em mão valor trocado para facilitar o trabalho do cobrador. Sabendo que depende do chapa para retornar a casa, depois de uma diversão qualquer que seja, evitar consumir bebidas alcoólicas até atingir o estado de embriaguez.

Aos motoristas e cobradores, é fundamental o cumprimento do prescrito na licença adquirida: levar o passageiro até ao seu destino em segurança, cumprindo completamente a rota, sem criar manobras desnecessárias, sem os extorquir e sem violar os seus direitos, cumprindo, este modo, os seus deveres ao pé da letra… Em síntese, mesmo em jeito de conclusão, em outras palavras, é imperioso que todos envolvidos sejam resilientes, tolerantes, educados e modestos de modo a garantirem o alcance dos objectivos de cada um com eficácia e eficiência, de modo cooperativo.

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